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Sobre o Asalato

O asalato é um instrumento de origem africana, especificamente da região oeste do continente, comum nos países: Gana, Mali e Senegal. Ele é composto por duas “cabaças” produzidas a partir do fruto de uma planta chamada Swawa, Oncobas Spinoza, ou no Brasil, ovo frito. Essa caixinha obtida pela secagem do fruto após a sua polpa e sementes serem retiradas, era utilizada para armazenar rapé. As crianças produziam diversos brinquedos, incluindo chocalhos que deram origem ao instrumento final com um cordão interligando as duas caixas. As caixinhas são preenchidas com pequenas pedras ou sementes para se obter um som de chocalho e interligadas com um cordão para que com os movimentos da mão, as cabaças se choquem umas com as outras e se produzam um som de batida. Ou seja, é possível se obter dois sons ao mesmo tempo, o de chocalho e o de batida. ​

No documentário: ‘Quando o Instante Canta’, do musicólogo norueguês Jon-Roar Bjørkvold, em que o autor traça uma crí=ca ao formato da sociedade européia e a relaciona com as questões rítmico-musicais da África, um pesquisador da música de Gana, John Collins aparece nos minutos iniciais com um “brinquedo” nas mãos, comentando que os africanos são treinados nas questões rítmicas desde cedo e demonstra as possibilidades polirrítmicas do brinquedo- instrumento asalato. ​
​ Como se trata de um instrumento vindo de uma cultura que sofreu silenciamentos e epistemicídios, têm sido muito trabalhoso encontrar fontes que cumpram o protocolo regular dentro dos ambientes acadêmicos. As fontes que ob=vemos foram de relatos e histórias coletadas pessoalmente ou via internet. ​​

Ao buscarmos as origens deste instrumento aqui no Brasil ou na América Latina, nos deparamos com diversos becos sem saída. Mesmo puxando pela memória de pessoas que tocam e fabricam o instrumento há muitos anos, a conexão com o con=nente africano ainda não foi efetuada a contento. Em uma conversa com um importante etnomusicólogo brasileiro, o Rafael Galante, este nos informou que nos estudos sobre a diáspora africana para as Américas, as pessoas que foram escravizadas e trazidas para o nosso continente, não vieram das regiões onde o instrumento asalato é originário. Logo, o instrumento chegou aqui através de um outro caminho, provavelmente o de músicos e turistas que viajaram para aqueles países e os trouxeram como souvenir. ​
​ Usamos atualmente “Asalato” (com a pronúncia “assalato”) que é uma palavra inventada, vem de Aslatua (um de seus nomes originais) e foi uma adaptação feita pelos japoneses, que já tinham contato com o instrumento especialmente de Senegal há cerca de 20 anos. ​​

Lari conheceu o instrumento em 2011, em uma viagem que fez a Istambul. Ganhou de um amigo que tinha viajado para Ghana e passou anos com apenas um asalato, sem ter contato com os asiáticos, com a polirritmia possível ao usarmos dois instrumentos e também usando outra pronúncia já que havia aprendido com uma pessoa estrangeira. ​​

Mauro tomou contato com o instrumento em 2016, através de um amigo que mora na Chapada dos Veadeiros, onde um músico argentino, o Pablo Rozas, que vive também na Chapada, fabricava e ensinava as pessoas locais a tocarem. Em 2017, conheceu por intermédio da Lari Finocchiaro, outro músico argentino, o Marcelo Bottini, radicado no Brasil, na cidade baiana de Santo André que fabrica o instrumento utilizando as mesmas técnicas de Pablo, com pasta de serragem, bola de pingue-pongue e miçangas. Ele, como pesquisador de construção de instrumentos musicais, se embrenhou em uma profunda pesquisa de técnicas, materiais e possibilidades sonoras. Importou asalatos do mundo todo: Gana, Senegal, Japão, Bali, Argentina, etc. Iniciou a construção a partir do uso de papel machê e evoluiu para os materiais plásticos, produzidos digitalmente, com toques artesanais. ​

Essa possibilidade de fabricar o instrumento e torná-lo acessível (ensinando outras pessoas a construírem a partir de materiais do cotidiano), junto com a iniciativa da Lari Finocchiaro de incluir o instrumento e adaptar ritmos brasileiros nas canções brasileiras, tornou o asalato popular no Brasil. Lari e Mauro tem realizado desde então muitas iniciativas de produção de conteúdo gratuito, vivências e oficinas, eventos online agregando a comunidade brasileira e internacional como os Saraus latino-americanos, conversas com expoentes estrangeiros, e seguem aprofundando constantemente suas pesquisas e o contato com artistas africanos! ​
​ Tudo isso vem engrossando esse caldo que ajuda a tornar o instrumento uma febre atualmente no país.